Recentemente, viralizou nos EUA e no Reino Unido um gráfico da Associação Médica do Texas que elenca os graus de risco de contágio por Covid -19 que várias atividades cotidianas oferecem, enumerando-as de 1 - baixo risco de contaminação - a 9 - alto risco de contaminação.

 

Analisando detidamente o referido gráfico, que não traduz uma verdade absoluta, mas apenas uma baliza para determinados cuidados, verifica-se uma incongruência no comportamento e nas escolhas de algumas pessoas, que neste período de pandemia se dizem inseguras para frequentar uma sessão de fisioterapia ou uma aula de pilates, em um ambiente controlado, com a observância de todos os cuidados, como turmas reduzidas, uso de máscara e higienização das mãos e dos aparelhos com álcool 70%, mas por outro lado, sem o mesmo receio, se sentem tranquilas para frequentar a casa de outra pessoa, ir a um churrasco no final de semana ou até mesmo ao shopping - atividades/locais classificados como de grau 5 (risco moderado), onde certamente em algum momento será necessário a retirada da máscara para se alimentar ou ingerir qualquer tipo de bebida.

 

O inconformismo é ainda maior quando escuto ou vejo as pessoas que se dizem inseguras para realizar seu treinamento ou tratamento físico, mas por necessidade ou prazer/lazer frequentam rotineiramente a área interna de restaurantes classificados como de grau 7 (risco moderado alto), ou até mesmo bares e buffet classificados como de grau 9 (risco alto), onde há uma aglomeração enorme de pessoas, em sua grande maioria sem máscara, compartilhando copos, cigarros etc.

 

Não estou aqui a afirmar que um studio de pilates ou um centro de reabilitação sejam lugares extremamente seguros e protegidos do Coronavírus, apenas chamo a atenção de que outras atividades podem trazer igual ou maior risco, sem qualquer benefício, sobretudo àquelas pessoas que necessitam se exercitar, se alongar ou trabalhar o condicionamento cardiorrespiratório por indicação médica.

 

Respeito a opinião de cada um, sobremaneira daqueles que perderam algum familiar ou amigo querido e, como já dito, a intenção não é criticar as pessoas que tentam se proteger, mas sim atentar aquelas que necessitam e sentem falta da sua rotina de atividades físicas, mas que a deixaram de lado por medo de se contaminarem e, por outro lado, fazem atividades ou frequentam lugares de igual ou maior risco. 

 

 *Nayara Gaspar Prestes é fisioterapeuta e atende no Centro de Saúde dos Advogados

 

*Foto: Divulgação



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